A poesia digital assim como a videopoesia, a holopoesia e a poesia sonora fazem parte do que o artista Eduardo Kac chama de poesia dos novos meios eletrônicos. Ela expressa, de maneira criativa e inovadora, os resultados da hibridação de linguagens diversas como, por exemplo, imagem, som e palavra. O envolvimento entre a matemática e a poesia desperta o interesse por um fazer poético mutante, dinâmico, em constante entrelaçamento e passagem entre códigos.
O texto do poema digital não é dado de antemão e sim, resulta de um diálogo, de uma troca entre o artista e aquele que interpreta sua obra através de uma interface de acesso produzida com os meios eletrônicos. As mensagens e sentidos se criam na medida em que o espectador percorre a obra, isto é, caminha por suas “dobras”. Essa nova organização topológica do texto, o hipertexto, confere à poesia digital uma de suas principais características: a mutação de conteúdo, forma e dimensão. A poesia sai da página plana e escapa à leitura linear para expressar-se tridimensionalmente na tela do computador.
O site de André Vallias (www.refazenda.com.br/aleer) – poeta visual, artista eletrônico e designer gráfico – é um poema circular. Está sempre por fazer. Infinito de possibilidades. O nome do site, Aleer (interpretação, em espanhol) é usado próximo à palavra francesa aller (ir). Com isso, o artista nos convida à exploração de signos e espaços que se conectam dando forma a um diagrama móvel no qual se processa uma relação intersígnica e interativa. Vallias aproveita o caos do ciberespaço para dele extrair um poema mutante, caleidoscópico, sujeito às “investidas” dos possíveis espectadores. A primeira coisa que nos chama a atenção no A leer é o abissal negro do fundo de tela. As imagens e textos destacam-se na profundidade proporcionada pela cor preta. Se a página branca nos apresenta um universo bidimensional e raso, o preto é a cor que melhor representa o espaço tridimensional, percebido por Vallias como local em que “a potencialidade do computador aflora com maior evidência.”[1]
Troquei o simulacro da página branca e as palettes coloridas, que os programas de DTP ofereciam, pelo negrume infinito e a interface austera e complexa do AutoCad (programa de arquitetura aberta).[2]
A origem do poema digital está intimamente ligada à poesia concretista. Influenciados pelo poema “Um Lance de Dados” de Mallarmé, os concretistas , entre eles, Décio Pignatari, Augusto e Haroldo de Campos, exploraram ao máximo o espaço bidimensional da folha de papel para imprimir movimento e escapar da leitura linear dos textos poéticos. Contudo, ler um poema digital, muito mais que apreender significados, torna-se possibilitar acontecimentos, ou seja, permitir o desdobramento da obra para além do presente através de sua constante atualização.
Quem “experimenta”[3] o Aleer se depara com duas portas de entrada: as palavras aleer e aller. Assim, duas opções são sugeridas: ler ou ir. A proposta de Vallias se expressa na frase de Paul Celan, escolhida para ser o texto de apresentação do aller: “Não leia mais – veja! Não veja mais – vá!”. Ler um poema digital é sinônimo de percorrer um trajeto. Ler é o mesmo que ir (leer = aller).Ver, experimentar pelo olhar, sentir pelo tato da visão torna-se mais importante do que a preocupação em ler, apreender significados, seguir um caminho linear de entendimento. A visão é nosso instrumento de captura. O que nos salta aos olhos, preciosidades da duração de um átimo, é por eles fotografado. Quando nos cansamos de ver basta ir, pois esta ação é, em si mesma, uma leitura e uma visão da topologia virtual habitada pelo “tecnopoema” de Vallias.[4]
Juntamente às palavras aleer e aller estão duas estruturas-links. Uma delas nos remete à chart, um mapa feito de “finos palitos” (sticks) desenvolvido pelos polinésios:
The Polynesians also used stick charts to guide them on the vast and almost empty Pacific Ocean: a chart of water movements, not of a land. Observing the relationship betwen the main waves driven by the trade winds and the secondary waves reflected from as island, the navigator could find his destination...[5]
Vallias explica que esse mapa não tem propriamente a função de orientar a navegação em seu poema “laboríntico”: “o que me interessou nessa carta de navegacão é o fato dela partir de uma outra perspectiva: a terra firme não é usada como referencial, mas sim a observação que o navegante faz das correntezas...”[6]. No poema digital cada “caminhante”, em sua atividade de ler, ver e interpretar os sinais do caminho, confere a este último um novo sentido, faz com que ele se desdobre em novas virtualidades. De acordo com Pierre Lévy, “o espaço do sentido não preexiste à leitura. É ao percorrê-lo, ao cartografá-lo que o fabricamos, que o atualizamos.”[7]
Não estabelecemos conexões entre os links de um site duas vezes da mesma forma. Quando re-lemos um texto, a história é outra, os sentidos são outros, nós somos outros. Para Roland Barthes
... o texto (...) é entrada de uma rede de mil entradas; penetrar por esta entrada é visar, ao longe, não uma estrutura legal de normas e desvios, uma Lei narrativa ou poética, mas uma perspectiva (de fragmentos, de vozes vindas de outros textos, de outros códigos), cujo ponto de fuga é sempre transladado, misteriosamente aberto.[8]
A noção que Vallias confere à atividade da leitura pode ser completada pela noção que Barthes imprime à mesma atividade. Para Vallias, a leitura é considerada um caminho por fazer – um devir. Mas Barthes aproxima-se da noção de hipertexto quando afirma que
Ler é encontrar sentidos, e encontrar sentidos é nomeá-los; mas, esses sentidos nomeados são levados em direção a outros nomes; os nomes mutuamente se atraem, unem-se, e seu agrupamento quer também ser nomeado: nomeio, re-nomeio: assim passa o texto: é uma nomeação em devenir, uma aproximação incansável, um trabalho metonímico.[9]
Podemos então aproximar estas duas formas de conceituar a leitura dentro da proposta de Vallias: Leer é percorrer um caminho catando nomes, recolhendo sentidos. Decifrar o caminho é proporcionar a união dos nomes recolhidos. A cada re-leitura, novos nomes se re-unem, novas criações surgem, novos virtuais afloram. Todo ler pede um ReleR.
Aleer: o devir-deriva do poema digital
O virtual surpreende, aparece nas curvas do caminho, nas encruzilhadas onde os sticks se interceptam, apontam para novos poemas-signos sem ordem de leitura. Para ler (ou leer) o caminho, torna-se necessário ir à superfície, perceber o movimento das ondas, acompanhar as pulsões instauradoras do discurso poético. Poesia é risco, onda, traço, imagem, cálculo, mas é também a “deformidade”, o sulco que modifica o relevo da superfície plana. O mapa não limita a “navegação”. Ele apura nossos sentidos para percebermos o movimento da onda formadora do poema.
O destino do “navegador” ou “caminhante” do espaço topológico de um site pode ser encontrado, segundo sugere a metáfora referencial da carta de navegação dos polinésios, por meio do encontro mental de duas ondas ou pulsões: a primeira, diz respeito ao impulso criativo do artista que, com a ajuda das novas tecnologias da informação, dá origem a uma obra que conjuga técnica e imaginação. A segunda onda se forma quando encontra “terra firme”, ou seja, um receptor (a onda que o atinge provém do pensamento criativo transmitido a uma matriz – concebida por um cálculo, um algoritmo – que, por sua vez, será por ele instanciada).[10] A fruição da obra de arte depende da reflexão, do retorno, da interpretação[11]. Mas o receptor não apenas reflete a onda, mas a modifica e é atravessado por ela. A imprecisão do ato de navegar, traz – além de possibilidades de descobertas – a imanência do virtual. Assim, quando apresentado na tela do computador, o poema se “preenche de outras questões que partem da sua integração a outros meios e linguagens.”[12]
Pierre Lévy trata justamente desse caráter do virtual quando diz que virtualizar é causar um deslocamento do ser para a questão, isto é, o virtual se instaura na problematização e se desdobra com a atualização, com o imprevisto:
... o virtual é como o complexo problemático, o nó de tendências ou de forças que acompanha uma situação, um acontecimento, um objeto ou uma entidade qualquer, e que chama um processo de resolução: a atualização.[13]
A problematização de Vallias aparece sob a forma de navegação orientada – ao mesmo tempo imprevisível – dentro do caos. Ele parte de um poema digital e o desdobra num diagrama interativo e semiótico. O som, o ruído, a materialidade do signo (letras que evoluem na tela e ganham relevo, peso, espaço) participam da composição de uma linguagem híbrida.
O conceito de virtual não deve ser tratado como sinônimo de irreal, ou mesmo de realidade virtual (ambientes de imersão criados para que o corpo experimente um espaço imaterial de simulação através do uso de luvas e capacetes especiais, por exemplo). Há uma ligeira confusão quando se fala em realização de possíveis e atualização de virtuais de uma obra poética ou artística. Pierre Lévy caracteriza a realização de um possível como processo que exclui a criação, visto que o possível já estava previsto na matriz lógica do sistema ou programa:
O possível já está todo constituído (...) e se realizará sem que nada mude em sua determinação nem em sua natureza. É um real fantasmático, latente. O possível é exatamente como o real: só lhe falta a existência. A realização de um possível não é uma criação, no sentido pleno do termo, pois criação implica também a produção inovadora de uma idéia ou de uma forma.[14]
Assim, atualizar um virtual é possibilitar o acontecimento de um imprevisto, de algo que não estava previamente determinado. Essa é a verdadeira revelação do poema digital: extrair de uma matriz lógica uma experiência sensorial e única: um acontecimento no qual a surpresa do momento interativo permite que “devires” sígnicos sejam atualizados durante os percursos de “deriva” dos espectadores, ou melhor, co-autores da obra.
A pretensão de Vallias é anunciar que a lógica formal do raciocínio, expresso na forma do cálculo não pode ser tomada como o poema em si.Como exemplo podemos analisar o poema Ode, que faz parte do Aleer:
[(pVq)Vp]Vp* Se [ se (p, então q), então p], então p
1 1 1 1 1 1 1 - p e q são verdadeiros
1 0 0 1 1 1 1 - p é verdadeiro, q é falso
0 1 1 0 0 1 0 - p é falso, q é verdadeiro
0 1 0 0 0 1 0 - p e q são falsos
Quando clicamos no asterisco, a coluna composta só com o número 1 se destaca e aparece a seguinte mensagem: “Poesia não importa o q”. No início, cada proposição que aparece é sincronizada com um ruído. A impressão que se tem é que cada letra ou palavra está se chocando na tela (suporte do poema digital).O raciocínio lógico, que engloba conceitos como dedução e indução, é combinado com os dois dígitos que asseguram o sistema binário da linguagem digital: 0 e 1. A matriz e o silogismo não são opostos ao poema, visto que todo poema tem sua dose de logicidade, mas o que Vallias ressalta é que a técnica e o cálculo não devem se superpor à criatividade: “poesia não importa o q”.[15]
A função do poeta é redimensionada e revista dentro do contexto da tecnologia digital. Executar um programa é coisa que exige apenas habilidade manual e cognitiva. Mas imprimir um traço subjetivo, da ordem de uma intensidade poética, é permitir que a obra seja apenas a porta de entrada para diversos universos de significância. André Vallias assume esse posicionamento, na medida em que cria com as novas técnicas digitais e contribui para criar proposições plásticas que liguem experiências humanas fundamentais às novas tecnologias.[16]
O “diagrama aberto” em terceira dimensão
Quando André Vallias iniciou suas incursões no terreno da arte digital, não levou adiante sua primeira idéia: trabalhar isoladamente a estrutura mínima da palavra.
O ímpeto inicial de construir letras tridimensionais foi logo descartado: não vi a possibilidade de integrar organicamente a terceira dimensão ao código alfabético. Tal procedimento, no meu ponto de vista, conduziria antes a uma iconização, que não seria, fundamentalmente, muito diferente das experiências tipográficas da poesia visual das décadas de 70 e 80. Buscava antes incorporar o espaço tridimensional na sintaxe do poema (grifo nosso).[17]
A terceira dimensão é o novo “logos” de produção e expansão da poesia digital. Um lugar móvel, sinuoso, dobrável e não linear. O texto não mais se encontra preso ao suporte, ele existe na medida em que vai sendo construído conjuntamente, surgindo do encontro entre signos que se relacionam de maneira híbrida e mutante. A poesia de Vallias é volume, forma plástica que consegue transitar entre o código binário (0 e 1) da numerização e a criatividade. O resultado é um poema híbrido, tridimensional, metafórico e metamórfico, em suma: um diagrama.
... elementos gráficos, numéricos, cor e texto em maior ou menor escala, passam a compor uma rede de reciprocidades que formará o campo de significação do todo. É esse complexo dinâmico e sincrético que chamo de Diagrama (do grego diá = entre + gráphein = escrever).[18]
Se entendido por suas ramificações, associações, desdobramentos e fluxos, o diagrama parece ser a melhor forma de definir uma construção poética digital. Nele, informações são conectadas, sentidos são produzidos em estruturas que se agregam infinitamente a outras: transformados em dígitos, sons encontram-se com imagens, que por sua vez se juntam a textos, que remetem a signos de natureza diversa, e assim vai se formando um discurso híbrido, abrangente e virtual.
O Aleer é um poema-diagrama não só por aproveitar a noção de hipertexto para conectar suas partes (lugares ou caminhos), mas ele opera para além das relações internas do poema. À hibridação de códigos comunicativos soma-se a interatividade. Vetores emergem da tela em direção ao espectador integrando-o ao imenso diagrama “laboríntico” proposto por Vallias. O espaço da tela é tomado por diagramas de som e de sentido multiplamente direcionados: formas inscrevem-se na tela “desenhando” significados que estão à condensação, à relação híbrida e labiríntica – de onde o poético extrai a essência de sua feitura. Aller pode ser descrito como um conjunto de inter-relações locais entre componentes heterogêneos que comporta tanto possíveis quanto virtuais.
“Nous n’avons pas compris Descartes” é o poema-manifesto que sustenta em seu significado a estrutura diagramática e aberta concebida por Vallias. Por meio dele, o poeta expressa sua maneira de perceber o poema (estrutura híbrida, mutante e tridimensional):
A partir de ‘Nous n’avons pas compris Descartes’ passo a ver o poema como um Diagrama Aberto, operando sob o signo da diversidade. A poesia liberta-se do domínio do texto (logocentrismo) e recupera seu sentido primordial de criação (do grego poiésis = feitura). Este poema tematiza a relação página/poema e, ao fazê-lo, transcende essa mesma relação, tomando o espaço tridimensional como o novo campo de significação do poema - sua nova página.[19]
A onda a que nos referimos anteriormente é concebida por Vallias – além de ser o poema propriamente dito – como uma forma sinoidal que
...embora possa ser vista como uma referência à geometria analítica de Descartes, é, no fundo, de natureza arbitrária, apontando, antes de tudo para uma inter-relação virtual de códigos: um gesto programático que dá a esse meta-poema um caráter de manifesto.[20]
Vallias constrói um poema para falar de si mesmo, para exibir o processo de “feitura” da poesia digital. Para ele, um poema não é uma forma terminada, finita e limitada ao espaço (suporte) de produção.
O poema proporciona uma inter-relação virtual de códigos uma vez que se trata de um diagrama aberto, ou seja, de uma interpretação livre: a forma (sinoidal), por exemplo, poderia ser lida como gráfico sonoro. Essa forma é também um gesto programático porque o poema, no fundo, não “diz” nada mas aponta para uma nova esfera de atuação, ou melhor se lança em direção a um novo terreno de criação poética. A poesia não precisa de um suporte material para ser lida. Não importa mais se a mensagem é uma imagem ou um som. O código binário transcende essas linguagens, as hibridiza. O computador é um meta-instrumento que privilegia a inter-relação de códigos. [21]
Um poema é um organismo vivo, aberto, que se expande em forma diagramática e caótica, mas que acima de tudo precisa do trabalho de várias mãos. Isso se explica pelo fato do poema digital exigir atualizações para que exista enquanto tal. A “polifonia interativa” dos discursos poéticos só se faz sentir através de uma interlocução que leve em consideração aspectos subjetivos de criatividade e percepção, a alteridade e a integração de códigos diversos. Só quando há a combinação destes fatores é que podemos esperar um resultado que difere daqueles já previstos pela matriz numérica que codificou o poema.
A poesia digital é um processo dinâmico no qual o inteligível (matriz lógica) se converte em sensível (experiência sensorial), o virtual em atual. Ela promove passagens entre o tecno-poético e o tecno-lógico, pois consiste num ato criativo e inusitado (fruto da interação artista/máquina/espectador(co-autor), e não na realização de uma solução pré-definida. O texto poético tornou-se extremamente permeável ao diálogo entre códigos de diferentes naturezas. Não existe a hegemonia da palavra, do som ou da imagem, mas um conjunto de interfaces, sobreposições e intercursos entre eles. As novas poéticas digitais abrem passagens para que mais virtuais se atualizem, mais questões povoem e indaguem o modelo, mais códigos sejam interpretados e multiplicados na atividade comunicativa.
Referências bibliográficas:
Arte e tecnologia/ [Editor] Instituto Cultural Itaú. Apresentação de Ricardo Ribenboin. São Paulo: ICI, 1997.
BARTHES, Roland. S/Z uma análise da novela Sarrasine de Honoré de Balzac. Trad. Léa Novaes. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1992.
BOSI, Alfredo. O ser e o tempo da poesia. São Paulo: Cultrix, 1993.
LÉVY, Pierre. O que é o virtual? Trad. Paulo Neves. São Paulo: Ed.34, 1996.
_____. O computador, a arte e o mundo. In: A Máquina Universo. Criação, Cognição e Cultura informática. Lisboa: Instituto Piaget, 1995, p. 47-74.
_____. As Tecnologias da Inteligência o futuro do pensamento na era da informática. São Paulo: Ed. 34, 1993.
PARENTE, André (org.). Imagem-Máquina: a era das tecnologias do virtual. Rio de Janeiro: Ed.34, 1993.
PLAZA, Julio & TAVARES, Mônica. Processos Criativos com os meios eletrônicos: poéticas digitais. São Paulo: Hucitec, 1998.
PLAZA, Julio. As imagens de terceira geração, tecno-poéticas. In: Imagem-Máquina a era das tecnologias do virtual. Rio de Janeiro: Ed.34, 1993.
_____. Tradução Intersemiótica. São Paulo: Perspectiva/ CNPq, 1987.
VALLIAS. André. New Media Poetry: Poetic Innovation and New Technologies. In: Visible Language (Eduardo Kac, Guest Editor). Rhode Island, 1996. pp.30-32.
1) http://www.ekac.org (Eduardo Kac)
2) http://www.antirom.com (Antiode)
4) http://wawrwt.iar.unicamp.br (Gilbertto Prado)
6) http://www.refazenda.com.br/aleer (André Vallias)
7) http://www.postypographika.com/menu-en1/genres/hyperpo/9menem9/frame1.htm (Fabio Doctorovich)
[1] VALLIAS. New Media Poetry: Poetic Innovation and New Technologies, p.30-32.
[2] Id., op. Cit. In: Visible Language 30.2(Eduardo Kac, Guest Editor); Rhode Island 1996. O texto foi publicado originalmente em inglês.
[3] Experimentar ou experenciar uma obra disponibilizada na rede aproxima-se da noção de fruição, de um envolvimento sensível que vai além do efeito estético (plástico) produzido em nós num primeiro momento. A experiência proporcionada por uma obra digital resulta de um envolvimento perceptivo do nosso corpo – amplificado pelas novas tecnologias interativas – com uma interface (momento epifânico do artista) criada por um artista. A interface é aqui entendida como os mecanismos que nos possibilitam “acessar” a obra, ou seja, um primeiro mapa-esqueleto de seu funcionamento.
[4] Júlio Plaza considera que as poéticas tecnológicas são “tecno-poéticas” realizadas por meio de “poetécnica”. Tais concepções revelam sua preocupação em preservar o elemento poético presente na relação simbiótica do homem com a máquina. (Cf. PLAZA & TAVARES, Processos criativos com os meios eletrônicos: poéticas digitais, pp.1-10).
[5] Texto de apresentação do link chart <http://www.refazenda.com.br/aleer>
[6] Afirmação de André Vallias obtida através de troca de e-mails.
[7] LÉVY. O que é o virtual, p.36.
[8] BARTHES. S/Z, p.46.
[9] Id., op. Cit. p.44.
[10] Conforme discussão anterior, instanciar uma matriz é atualizá-la, é extrair dela suas virtualidades por meio de uma relação-acontecimento da ordem de uma intensidade. Já uma instância é definida por Lévy da seguinte forma: “... atualização sensível que um programa-fonte, matriz ou hipertexto podem engendrar.” (Cf. LÉVY. A máquina universo, p.64).
[11] A respeito da renovação constante da mensagem numa troca simbólica, podemos afirmar que “re-iterar um som, um prefixo, uma função sintática, uma frase inteira, significa realizar uma operação dupla e ondeante: progressivo-regressiva, regressivo-progressiva.” (Cf. BOSI. O ser e o tempo da poesia, p.31).
[12] Arte e Tecnologia – Catálogo do Instituto Itaú Cultural, p.49.
[13] LÉVY. O que é o virtual? p. 16.
[14] Id. Ibid.p.15-16.
[15] Waldemar Cordeiro é um dos brasileiros que primeiro se aventuraram a fazer arte usando o computador. Segundo Eduardo Kac, nos anos 60 “muitos artistas inovadores optaram por abandonar o apelo táctil do reino analógico e se aventuraram pelo domínio da computação gráfica. (...) Aqueles que na ocasião trabalhavam com computadores exploraram algoritmos que geraram diversas formas de arte abstrata ou construtivista. Outros criaram imagens figurativas que foram carregadas poeticamente através de procedimentos gráficos específicos. O trabalho de Cordeiro é particularmente inconfundível nesse contexto porque o artista, vivendo a pior fase da ditadura militar brasileira, produziu imagens computadorizadas que eram ricas em conteúdo pessoal, emocional ou sutilmente político.”(Cf. http://www.ekac.org/veredas.html). Podemos aproximar o poema Ode, de André Vallias ao seguinte poema de Waldemar Cordeiro:
1 1 0 0 0 1
1 0 1 0 0 1
1 0 0 1 1 0
1 1 0 1 0 1
significa
ARTE
em linguagem
binária
Júlio Plaza define esse poema como uma Tradução Simbólica, pois ela “define a priori significados lógicos, mais intelectuais do que sensíveis.(...) Ela se relaciona com seu objeto por força de uma convenção, sem o que uma conexão de tal espécie não poderia existir. Nesse caso a tradução é transcodificação.” (Cf. PLAZA. Tradução Intersemiótica, pp. 93-94.
[16] Cf. POPPER. “As imagens artísticas e a tecnociência (1967-1978)” in Imagem-Máquina, p.212.
[17] VALLIAS. Op. Cit.
[18] Id., op. Cit.
[19] Id., op. Cit.
[20] Id., op. Cit.
[21] Afirmação de André Vallias obtida através de uma entrevista feita para minha pesquisa de Iniciação Científica - Poesia Digital: Passagens entre o tecno-poético e o tecno-lógico.